Dourados cria centro de emergência para combater chikungunya
A Prefeitura de Dourados instituiu, por meio do Decreto nº 610, de 31 de março de 2026, o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) para enfrentamento da chikungunya no município. A medida foi tomada diante do aumento expressivo de casos, alta taxa de positividade e registros de óbitos, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde.
O decreto, publicado em edição extraordinária do Diário Oficial durante o feriado da Sexta-Feira Santa, considera o cenário epidemiológico preocupante, com 2.680 casos prováveis da doença, sendo 1.387 confirmados, 528 descartados e outros 1.831 ainda em investigação. A taxa de positividade chega a 74,9%. Ao todo, cinco mortes já foram confirmadas, todas de pacientes da Reserva Indígena, além de outros dois óbitos que seguem em investigação.
Risco alto em Dourados
A criação do COE também leva em conta a avaliação do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), que classificou Dourados com risco alto para a doença.
Ainda na sexta-feira, o COE-Chikungunya realizou sua primeira reunião com os órgãos que integram a estrutura. “As equipes vão se reunir todos os dias, às 7h30, para analisar os trabalhos realizados no dia anterior e definir as ações do dia e projetar atividades de curto prazo, podendo adotar medidas mais rígidas de contenção se forem necessárias”, explicou o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, que também coordena o centro.
Segundo ele, o objetivo do COE é centralizar e organizar a resposta à crise sanitária. “Significa dizer, que poderemos adotar medidas dependendo do comportamento da epidemia em Dourados, sempre com base em números reais e boletins bem estruturados”, afirmou.
O centro atuará na coordenação, planejamento e monitoramento das ações de combate à doença. Além disso, ficará responsável pela avaliação dessas mesmas ações ao longo do tempo. Adotará como base o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), que organiza a resposta de forma estruturada. Dessa forma, o SCI permite uma estrutura flexível e adaptável conforme a evolução do cenário.
Monitoramento contínuo da situação epidemiológica
Entre as atribuições do COE está a elaboração do Plano de Ação do Incidente (PAI). Além disso, o COE ficará encarregado de atualizar esse plano sempre que necessário. O COE também realizará monitoramento contínuo da situação epidemiológica. Assim, poderá identificar rapidamente mudanças relevantes na dinâmica da doença.
A coordenação das ações de vigilância integra as atribuições do COE. Além disso, o órgão articulará a rede de saúde envolvida nas operações. Por fim, o COE integrará o setor de saúde com outros setores, como saneamento, defesa civil e assistência social. Dessa forma, buscará uma resposta mais integrada, rápida e eficaz ao cenário de emergência. Também caberá ao centro a produção de boletins e relatórios técnicos, além da comunicação de risco e transparência das informações.
Márcio Figueiredo destacou a importância da atuação integrada entre diferentes setores. “O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública tem um comando unificado que define operações, planejamento, comunicação e informação, tratando o problema com a máxima transparência”, disse.
O COE-Chikungunya é composto por representantes de diversos órgãos municipais, estaduais e federais, incluindo departamentos da Secretaria de Saúde, a Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud), Defesa Civil, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde, além de instituições hospitalares e o Distrito Sanitário Indígena.
Por fim, a coordenação do centro ficará sob responsabilidade direta da Secretaria Municipal de Saúde, em atuação conjunta com o Distrito Sanitário Indígena. O COE funcionará de forma contínua enquanto durar a situação de emergência, podendo operar de maneira presencial, híbrida ou remota, com registros sistemáticos das ações para garantir transparência e rastreabilidade das decisões.
Fonte: PM Dourados

